terça-feira, 1 de setembro de 2026


Não admira que me doa um pouco o pescoço. Nos últimos dias tenho andado a olhar para cima, eu, que, habitualmente, sou propenso a dirigir a mirada para o chão que piso.

No azul que me enche o que sobra por cima dos prédios e árvores que delimitam o horizonte sempre que vou dar os meus habituais passeios matinais, o círculo claro e contrastado da Lua tem, por estes dias, mantido visível e notória presença em conluio astronómico com o sol, tão madrugador quanto eu.

Como toda a gente, já vi esta imagem inúmeras vezes, mas parece haver uma espécie de magnetismo ocular que me leva a olhar uma e outra vez para o luminoso disco branco, manchado de sombras acinzentadas, que me acompanha os passos e se vai esvaindo em contraste até desaparecer do azul, à medida que o dia se impõe, no constante rodopiar de rotações e translações. 

Lua cheia, assim se lhe chama quando se exibe gorda e reboluda para gáudio dos olhos que a miram ... cheia de luz; cheia de forma, cheia de graça, cheia.... de razões para passar alguns saborosos e solitários momentos de prazer fotográfico, ao longo de três dias, em locais vários, acrescentados com o extra de um eclipse quase total, que me obrigou a confiar no despertador para não perder a oportunidade.



Cacilhas - 26 de Agosto




Sobreda - noite de 27 para 28 de Agosto






Monsaraz - 28 de Agosto



Monsaraz - 29 de Agosto

De tanto olhar para ela, cada vez mais me convenço que, pelo menos nestes dias de lua gorda e redonda,  o velho que a habita não dorme. Se assim não fosse seguramente correria as cortinas de manhã, para poder descansar um pouco.... 

A verdade é que, manhã ou noite, ela (e ele, pois então...) lá está redonda, brilhante, túrgida de branco...

e eu tanto gosto....


Monsaraz - 30 de Agosto

É mesmo uma amante impiedosa, não é Renée?