
Não admira que me doa um pouco o pescoço. Nos últimos dias tenho andado a olhar para cima, eu, que, habitualmente, sou propenso a dirigir a mirada para o chão que piso.
No azul que me enche o que sobra por cima dos prédios e árvores que delimitam o horizonte sempre que vou dar os meus habituais passeios matinais, o círculo claro e contrastado da Lua tem, por estes dias, mantido visível e notória presença em conluio astronómico com o sol, tão madrugador quanto eu.
Como toda a gente, já vi esta imagem inúmeras vezes, mas parece haver uma espécie de magnetismo ocular que me leva a olhar uma e outra vez para o luminoso disco branco, manchado de sombras acinzentadas, que me acompanha os passos e se vai esvaindo em contraste até desaparecer do azul, à medida que o dia se impõe, no constante rodopiar de rotações e translações.
Lua cheia, assim se lhe chama quando se exibe gorda e reboluda para gáudio dos olhos que a miram ... cheia de luz; cheia de forma, cheia de graça, cheia.... de razões para passar alguns saborosos e solitários momentos de prazer fotográfico, ao longo de três dias, em locais vários, acrescentados com o extra de um eclipse quase total, que me obrigou a confiar no despertador para não perder a oportunidade.









