Dos meus dias
sábado, 25 de abril de 2026
Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,
em partes, tantas quantas me promete a memória...
12 de Abril - Espanha - Galiza
Ribadavia
Epílogo
Uma última visita restava ainda antes de nos dirigirmos para o lado de cá da fronteira.
Tínhamos jantado aqui na noite anterior (e mesmo agora, enquanto escrevo, guardo na alma o sabor delicado das fresquíssimas zamburrinhas e navalhas que acompanharam o inescapável pulpo à feira ..).
O dia ia longo e a luz escassa, por isso deixámos a visita para hoje, acompanhada por um aguaceiro que nos obrigou a procurar o resguardo de um toldo num dos cafés da Praça Mayor durante alguns minutos.
Domingo, dia de missa. Enquanto os devotos se dirigiam, a sós ou em pequenos grupos, para a igreja paroquial de Santo Domingo, onde a função estava prestes a ter início, na rua em frente a um ou outro bar, grandes caldeirões fervilhavam já para a cozedura dos polvos que seriam depois servidos nos típicos pratos de madeira, por enquanto arrumados em pilha sobre uma mesa.
Ao lado do convento e igreja de Santo Domingo, fica o santuário de Nosa Señora do Portal e enquanto por ali estive não pude deixar de reparar que muitas das pessoas que se dirigiam à igreja para participarem na missa, por ali passavam primeiro, espreitando o interior iluminado desta outra igreja, através do portão gradeado que barrava a entrada.
terça-feira, 21 de abril de 2026
Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,
em partes, tantas quantas me promete a memória...
12 de Abril - Espanha - Galiza
Mosteiro de San Clodio
Monumento natural de Pena Corneira

segunda-feira, 20 de abril de 2026
Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,
em partes, tantas quantas me promete a memória...
11 de Abril - Espanha - Galiza
Allariz
Nunca aqui chegara, mas há uns anos que Allariz não me era um nome estranho, entrelaçado que um dia se me oferecera nos vídeos do magnífico Carlos Núñez... só poderia ser terra de encanto, ou não fosse inspiração para a belíssima marcha que o Maestro teceu.
Parámos no terreiro da feira de que, infelizmente, já só uma ou duas bancas em desmontagem restava, e partimos para uma volta pela vila, quase deserta, acompanhados por um vento frio, a roçar o desagradável, que dava uma nota invernal ao sol que, não obstante, teimava em brilhar desafogado.
Casas de pedra, ruas estreitas e a evocação de um filho da terra, que eu também desconhecia por completo, mas bastou-me uma sua fotografia - pois de um fotógrafo se tratava - em boa hora mostrada na rua como parte de uma exposição evocativa que parecia aquecer o frio granito das casas, para perceber que a honra era mais que devida.
O rapaz segura o barco e nele segura provavelmente o seu futuro, ou não fosse a Galiza terra de gentes do mar, enquanto dirige o olhar para um horizonte que o espetador não vislumbra no enquadramento, tal como, provavelmente, acontece com o do próprio sujeito do retrato: incerteza, a sorte (a má e a boa), o futuro... e a recordação do diabo em Gil Vicente: "À barca, à barca, senhores, barca mui nobrecida, à barca, à barca da vida!"
Uma obra a descobrir, pelo menos por mim: José Suarez, fotógrafo Galego.
Passamos em frente ao museu do brinquedo. Optamos por não visitar que o relógio avança. Descemos até ao cemitério prostrado sobre a encosta que leva ao rio Arnoia e que marca o limite da vila e voltamos para o local de partida, continuando por vielas estreitas e ensombradas por fria pedra.
Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,
em partes, tantas quantas me promete a memória...
11 de Abril - Espanha - Galiza
Orense
Orense. Outra cidade que não visitava há largos anos.... a última vez, tínhamo-lo feito eram ainda crianças as minha filhas... tempus fugit... por supuesto!...
Certamente por essa razão, poucas memórias restavam... todos os locais me pareciam novos (salvo um de que falarei mais tarde)... até mesmo a Praza Mayor por onde começámos o passeio depois de uma primeira paragem junto das termas da Chavasqueira, um dos curiosos espaços termais à beira do Minho que por aqui se encontram para disfrute gratuito pela população e visitantes.
Para nós foi antes o local da pausa para umas sandes, num dos bancos ali instalados e de um curto passeio à beira-rio para estirar as pernas.
Toda a zona do centro histórico de Orense é pedonal, o que permite um passeio despreocupado e mais atento às particularidades do entorno que às vicissitudes do tráfego. Mais ainda quando se o faz numa tarde ventosa e fria de sábado, quando tudo se encontra já fechado, salvo alguns restaurantes, espalhados por uma ou duas das estreitas ruas que lhe servem de artérias.
Orense é também cidade que se arrasta por uma encosta e o nosso passeio levou-nos cerca de cinquenta metros acima da cota da Praza Mayor até ao miradouro em frente ao Convento de San Francisco, onde pretendíamos visitar o claustro. Infelizmente só abriria de novo às cinco da tarde, pelo que voltámos para a zona baixa da cidade, para visitar o único local da cidade de que me lembrava claramente: as burgas.
"Pai, a água é boa para beber?", perguntou-me a minha filha mais velha
Eu, sabendo que a água era quente, mas julgando que jorraria a uma temperatura inofensiva, irrefletidamente, respondi "Experimenta".
Felizmente apenas tocou com os lábios na água que soube depois jorra a mais de 60 graus celsius, o que ainda assim lhe causou uma pequena queimadura, felizmente sem necessidade de qualquer cuidado especial.... já eu, fiquei com o desconforto para sempre....
... uma curiosa praceta de um enorme edifício em crescente.
A vista lá de cima, no entanto, não é propriamente avassaladora, já que, tirando a torre e o campanário da catedral, as retinas apenas alcançam o laranja dos telhados
O Interessante edifício Viacambre, datado de 1974, também conhecido como "A colmeia",
concebido por Juan Rodríguez de la Cruz., que alberga hoje a radio Ourense



























































