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sábado, 4 de maio de 2013

Não foi seguramente capricho de arquiteto paisagista, nem desígnio de engenheiro de estradas, mas a rotunda nua, mal tratada e suja de plásticos e papel, brilha agora mais que se tivesse estátua de herói ou luzes de natal.

O que é preciso é dar por isso (quase como dizia o Pessoa sobre o binómio de Newton…); praticar a sensata arte de olhar para o chão - refúgio dos tímidos, dos culpados e dos que simplesmente gostam de ver; sorver o óbvio para saborear o fim de boca inesperado que premeia a insistência...mesmo que por mera confirmação probabilística.


                                  Erva abelha - Ophrys apifera                             Erva abelha - Ophrys apifera


Erva língua - Serapias strictiflora


                              Erva língua - Serapias strictiflora                       Erva língua - Serapias strictiflora

É por isso que eu procuro, e fico infantilmente feliz sempre que encontro, quase sem querer, como aconteceu ontem com as orquídeas na rotunda do posto de gasolina!


It was certainly not  a whim of a landscaping architect, nor the will of the  road engineer, but the naked roundabout, neglected and soiled by paper and plastic, now shines more than it would were it given an hero’s statue or Christmas lights.

One has to notice it though… (almost like what Pessoa said about  Newton’s binomial…); indulge in the wise art of looking at the floor – an haven for the shy, the guilty and  those that simply like to see - to gulp down the obvious in order to savour that unexpected aftertaste that rewards persistency... even if by mere probabilistic confirmation.

That is why I search and become childishly happy whenever I find, almost by chance, as it was the case yesterday with the orchids in the roundabout of the gas station!

domingo, 7 de abril de 2013





Orquídeas. Foi por elas que saí hoje com o nascer do sol. Sabia que as havia para os lados do cabo Espichel e foi lá que as fui procurar, entre a Azóia e o farol, no lado nascente da língua agreste que forma o próprio cabo.

São pequenas, algumas delas. Tão pequenas que facilmente se não dará pela sua envergonhada presença, numa caminhada mais despreocupada.  Eu  que as procurava de olhos atentos, confesso que uma hora passada sobre o inicio da caminhada estava já a pensar que voltaria para casa de mãos (e máquina) a abanar, não fora o sorriso matreiro de uma erva-abelha - assim dizem os compêndios que o povo lhe chama - me ter chamado a atenção ( ou não fosse  eu daqueles que prezam quem com sorriso franco os chama…).

Sabendo o que se procura a busca torna-se mais fácil e facilmente descobri muitas outras destas pequenas plantas na terra  mais nua, entre erva e vegetação rasteira.

Destas e de outras, porque foram 4 as espécies diferentes que num só passeio tive a sorte de poder ver, eu que nenhuma delas alguma vez tinha visto, pelo menos desde que iniciei a minha muito pessoal coleção de muito especiais cromos, que não se vendem, não se trocam, mas que guardo com orgulho e mostro  com prazer.

Ontem voltou o sol, hoje foram as orquídeas …

Pena é que tudo o resto continue a ser Portugal… e não é pelo país, de que eu tanto gosto….




 
                                                                    Erva-abelha - Ophrys speculum

Anacamptis papilionacea


                             Erva-dos-macaquinhos-dependurados                                         Erva-vespa
                                                Orchis italica                                                            Ophrys lutea

O
rchids. The reason why I went out early, today. I knew that they could be found in the Cabo Espichel area, so that’s where I went looking for them, between Azóia and the lighhouse, on the eastern side of the rough strip of land that forms the cape.

Some of them are tiny. So much so that the occasional trekker on a carefree hike  will not, in all probability, notice their inconspicuous presence. I do confess that one hour into my walk, in spite of having been looking for them with eyes open wide , I started to think I would have to go home empty handed (and that means photos also), were it not for the cunning smile of an erva-abelha – so people call them, say the books -  who grabbed my curious attention (I, being of the type who cannot  resist a smiling call…)

Knowing what to look for makes for an easy search and I easily found  many other specimens of these tiny plants amidst grass and undergrowth.

But they were not alone, because I was lucky enough to find  4 different species that I had never seen before, at least since I began my very personal  collection of very special stickers, that cannot be sold, cannot be traded, but that I proudly collect and exhibit with pleasure.

Yesterday the sun was back, today the orchids….

Pity that all the rest continues to be Portugal… and I don’t mean the country, which I so much like….