segunda-feira, 24 de junho de 2024

 Rota Vicentina



crédito: rotavicentina.com

Prólogo - Lagos, 19 de maio 2024

Comecei a viagem num domingo. Em Lagos não consegui comprar um selo para correio nacional, pelo que o postal de início de caminho não seguiu... fica agora, aqui :-)


Como resistir a um caminho que, na designação porque é conhecido, convoca memórias dormentes em todas as camadas dos meus sentidos, do tato - na mão que agarra firme a superfície dura e áspera de uma rocha, na busca de apoio para o corpo que a seu lado progride - ao olfato - no ar temperado a tomilho e maresia que inalo em rápida sucessão, que o esforço assim me o exige; da audição - no vaivém da água que marulha entre os calhaus, na praia, no sopé da falésia - à visão - desafogada, até onde o mundo se deixa ver, em cambiantes de azul, ou debruado a terras, preciosas porque impolutas; até mesmo ao paladar, que o ar aqui sabe ao que cheira, temperado a sal.

Estou velho, essa é que é essa. O físico lembra-mo todos os dias. Não obstante, sem querer cair no rotineiro chavão do espírito vivaz, atrapado a descompasso em ossos doridos e veias enrijecidas, não quero, de todo, deixar que tal facto tenha em mim mais consequências que o escalar dos objectivos que me fixo para uma dimensão que considere exequível, ainda que exigente, sempre resguardado na opinião de quem das coisas do corpo melhor sabe.

Mas voltemos ao que eu queria mesmo dizer, quando referi a minha condições de pré-geronte: agora, o passado tem a dimensão que antes tinha o futuro... e a frequência. Uns chamam-lhe nostalgia, outros, saudade... eu chamo-lhe uma porra, mas a verdade é que dou por mim, tantas vezes, a recordar, em vez de olhar para diante.. feitas as contas, o caminho para trás já me é seguramente mais longo que para diante... 

O mar, esse, é sempre o mesmo: se tiver rochas, pedra, ondas, falésia, azul, espuma, maresia, sal, limos, possivelmente até sereias, tanto se me dá que seja aqui, ou nos Açores, mas aqui faz-me lembrar o puto que corria pelos caminhos de lava, que tinha cascos em vez de solas nos pés, que comia o mar nas lapas cruas que engolia e pendurava no anzol, na esperança que as castanhetas também gostassem do petisco...

Por isso não iria conseguir dizer que não; por isso comprei o bilhete de camioneta para Lagos. O Trilho dos Pescadores esperava-me. Depois de Santiago, percebi que o meu corpo ainda podia, mais do que isso, ainda o queria. Só havia pois uma solução... a mais fácil de todas: ir!

Sentado num autocarro que tinha bem mais assentos vazios que ocupados, o que me permitiu o conforto de uma fila só para mim, vi o Alentejo deslizar pela janela, enquanto esforçava a vista contra o pequeno écran do telemóvel para ler o famoso ensaio de Thoreau "Walking", leitura que me pareceu particularmente adaptada ao momento que agora iniciava e que se estenderia por uma semana, entre Lagos e Aljezur.

O Caminho dos Pescadores, na sua extensão total, entre Lagos e São Torpes, tem 226 km. Por várias razões, decidi fazê-lo em duas partes: Lagos-Aljezur e Aljezur-Sines (penso incluir os poucos quilómetros entre Sines e São Torpes, para assim deixar já toda essa parte da costa percorrida num GR11 - E9 particular que, lentamente, vou completando).

Seriam assim, nesta primeira parte, 113,9 Km que percorreria em 6 dias, o que daria uma média de 19 km por dia. Recuperando a minha experiência do Caminho de Santiago, não me parecia demasiado ambicioso, já que no Caminho tinha feito uma média de 23,6 km/dia, ao longo de 13 dias. Não sabia eu, no entanto o que me esperava, já que na verdade os percursos tem características muito diferentes, que tornam o Caminho dos Pescadores muito mais exigente que o percurso entre o Porto e Santiago.

Subidas, muitas, íngremes e com pisos difíceis e escorregadios, de pedra solta, descidas com iguais características e muitos tramos em areia solta, tornam o percurso bastante mais cansativo. Fiquei contente por a ele não me ter abalançado sem qualquer preparação.

Na soma das seis etapas que fiz, registei um acumulado de desnível positivo de 2,372 m.  Em termos médios, o acumulado diário nos seis dias de Caminho dos Pescadores  foi de 395 metros, o que compara com a média de 257 que fiz no caminho de Santiago... Para além do mais, a diferença nos pisos e na inclinação  das subidas (fácil de perceber nos perfis altimétricos das etapas, com frequentes linhas a bordejar a verticalidade) torna tudo bastante mais desgastante para corpos com quilos a mais, como eu. Felizmente tomei a opção certa no que respeita à época, porque no verão, com temperaturas constantemente bastante acima de 30º C e sem uma única sombra que proteja o caminhante durante muitos quilómetros, imagino que tudo se transforme num enorme desprazer.

Lagos recebeu-me à hora de almoço. Procurei logo instalar-me no alojamento que reservara e, depois de o fazer, passei o resto da tarde a passear pela cidade, já pejada de turistas nas ruas e nas muitas esplanadas de restaurantes e bares que lhe enchem o centro.

Não me sentia um turista e queria que o dia passasse depressa. O meu propósito era outro e ainda faltavam umas hora para o iniciar... recolhi cedo ao alojamento e depois de um jantar com comida feita comprada no supermercado, dediquei-me ao meu habitual registo escrito e gráfico da história do dia no caderno de viagem que me acompanha.

Luz fechada cedo, que amanhã queria, também cedo, começar a caminhada.

 

Tudo começa assim: um necessaire de montar nas costas e um bilhete de autocarro até à linha de partida...

... mas ao contrário de quem segue os pássaros, iria precisar de manter os olhos bem abertos, que o caminho era, por vezes, exigente.

Um curioso quiosque...

... como curioso é este armário de distribuição elétrica...



... e o belíssimo D. Sebastião do Cutileiro.

Uma porta assim... 

... merece azulejos destes, com certeza!

Com uma fachada destas até apetece comprar pão.

E o México aqui tão perto?

Mas nada se sobrepõe à beleza inconfundível dos jacarandás!

Não, não preciso de astrolábio, nem tampouco de bússola.. o caminho, ele próprio, mostra-me a direção a seguir! 


terça-feira, 18 de junho de 2024



 XIII - Iria - Santiago de Compostela

21/Setembro/2023


Talvez por ser a noite que antecedia a última etapa, custou-me sobejamente a adormecer e, pelas 5h30, já estava acordado. Como nada me prendia ali, levantei-me, vesti-me, tomei o pequeno almoço e na esperança de, mais uma vez, me poupar à chuva que caíra durante a  noite, saí para a última tirada que me levaria até ao fim de um percurso longo de 30 anos, embora só fisicamente cumprido nos 13 dias que agora se completavam.

Noite ainda lá fui palmilhando os primeiros passos que me afastavam de Iria, numa etapa que teria o condão de ser quase sempre a subir, embora  com a compensação da passagem por várias áreas de bosque, o que é sempre mais agradável que andar ao longo de estradas, na companhia de trânsito automóvel.

Quase quatro quilómetros volvidos sobre o início da tirada o céu abriu-se para o mundo cá em baixo e lá tive que parar para vestir o impermeável e colocar a capa de proteção na mochila. Não obstante, o caminho por entre árvores ajudou  a que a chuvada não causasse incómodo  maior que a necessidade de limpar as lentes dos óculos de quando em vez.

Escravitude. Uma povoação que se atravessa longitudinalmente, ao longo da estrada, na incessante companhia dos camiões que nela estão sempre a passar, guardava-me a primeira surpresa do dia. Um edifício paralelepipédico, branco, mesmo à borda da estrada, com uma bela fachada e varandas de arte nova... tão inesperado quanto bonito.

Do outro lado da rua, uma grande igreja, Nossa Senhora da Escravidão, com as imagens de dois santos com que várias vezes me cruzei ao longo do caminho: o óbvio Santiago e o nosso Fernando de Bulhões, que o mundo católico venera como Santo António de Lisboa.

Tempo para uma pausa também e para a habitual chávena de café, que confortava, depois do passeio à chuva.

Milladoiro, bem mais à frente, seria a paragem seguinte. Aí cheguei já sem a chuva a fazer-me companhia, muito embora isso fosse coisa que não faltasse nestes últimos quilómetros do caminho. Difícil era, muitas vezes estar minimamente sozinho... a espaços, viam-se verdadeiras filas de caminhantes que, como eu, tinham por meta a cidade da Catedral que, daqui, de Milladoiro, se conseguia pela primeira vez vislumbrar, ainda que à distância ainda de vários quilómetros.

Saborosos, estes, no entanto, porque passados, em grande parte, dentro de um enorme carvalhal que, para além da beleza das árvores, me deu a beleza da sombra, e tão bem que ela sabia, agora que o dia já ia avançado, quente mas húmido, o que é sempre fonte de alguns desconforto.

Este carvalhal era a minha última esperança para me cruzar com uma vaca-loura, Lucanus cervus, coleóptero que nunca tive o prazer de vislumbrar. Embora bem atento, não tive, mais uma vez,  essa sorte e continuo a não poder riscar a linha que carrega o seu nome na minha imaginária mas bem presente lista de coisas para ver.

Por fim "las afueras de la ciudad de Santiago de Compostela"... prédios novos, trânsito e o caminho a percorrer ainda até ao centro, que é como quem diz o fim. Os últimos quilómetros... quanto mais perto chegava, mais a vontade de chegar aumentava, a mochila, que nestes últimos dias já quase nem dava por ela, começava agora a pesar inusitadamente sobre os ombros, os passos sentia-os agora também de maneira diferente, mais pesados.... "desculpe, o Obradoiro é por aqui ou por ali?" perguntei eu num cruzamento já bem dentro do casco histórico da cidade, "Por ali" respondeu-me a simpática senhora, com idade para já ter respondido o mesmo a muitos e muitos outros que, como eu, alguma vez procuraram caminho.

De súbito, a entrada na praça, com a Catedral pela direita e a multidão que por ali sempre está. Gente, gente e mais gente, mas todos mostrando óbvios sinais de manifesta boa-disposição e contentamento por terem atingido a meta a que se tinham abalançado... também eu assim me sentia, mas a entrada na praça., ao contrário das descrições que lera que a vertiam em pirotecnia para a alma e explosões sensoriais de difícil explicação, essa, talvez por estar sozinho, teve para mim um sabor quase de atabalhoada conclusão de passeio, uma notória aura de   anti-climax, um sabor discreto, mas concreto, a "já está!"...e agora? acabou?  já? amanhã não ando mais?

Pedi, tinha que o fazer, a uma das pessoas que por ali se encontrava que me tirasse uma fotografia com o telemóvel (sou assim, mas sou humano....),  olhei a catedral com o respeito e a satisfação de a ter frente aos olhos e sentei-me no chão a escrever uma pequena nota que enviei aos amigos mais chegados, em jeito de epílogo:

E pronto...cheguei! Mais de 300 km, 13 dias, embalado apenas pela música do ar e pelo compasso das botas a irmanarem-se com a terra, a lama, a água, a areia, a relva  as folhas mortas , as folhas vivas,  o asfalto...  Não busco indulgência outra que o prazer solitário da caminhada e de sorver o mundo à minha volta com os olhos bem abertos e, essa, foi-me plenamente concedida. E, com isso, sinto-me feliz...


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 Ao prazer da caminhada, juntei tantas vezes o prazer da comunhão com espaços naturais relativamente intocados...

Igreja de Nossa senhora da Escravidão: Santiago

Sto. António

a bela fachada art noveau de um edifício à beira da estrada






Só para passar em locais como este, tinha valido a pena...

As pessoas dão escala

Mas a verdade é que não fazem falta nenhuma à imagem...


Ao contrário das estátuas, que não costumam ficar mal na fotografia

Se isto não é a Galiza, onde está a Galiza?

Quem viverá por detrás do pequeno postigo com caixa de correio?

Nem sempre a arte está nas mãos de quem faz. Por vezes está apenas nos olhos de quem vê...

... não é verdade?


Um dos últimos indicadores de caminho que vi, num portão que dizia "Ruta Portuguesa" de um lado e "O Chimangas", do outro.

A entrada na cidade...

... e o destino final! (não confundir com o Juízo final, que esse, fica apenas para os leitores 😀)



A caminho do hotel



o bota-fumeiro

e a doçura estrepitosa de uma gaita, que sem ela o caminho seria incompleto!

quinta-feira, 13 de junho de 2024


 XII - Caldas dos Reis - Iria

20/Setembro/2023


Uma etapa sem grande história, a não ser o facto da parte inicial ter toda sido finalmente feita debaixo de uma chuvinha pequenita, mas intensa, que me obrigou a vestir o impermeável e a tirar a capa de proteção da mochila pela primeira vez. 

Saí de novo muito cedo, ainda o sol não tinha nascido. Andar pelo início da manhã é tão mais agradável, para mais com a certeza do convite para o espetáculo do nascer do sol, embora desta vez o espetáculo fosse frouxo, culpa das nuvens baixas e da chuvita molha tolos.

O primeiro café da manhã tomei-o em Carracedo, onde parei também um pouco para fotografar a igreja que tinha uma curiosa escultura de uma bota, em madeira, assente num pedestal. 

Grande parte do caminho foi mais uma vez feito ao abrigo de grandes carvalhos e castanheiros, atravessando verdadeiros túneis de árvores atapetados de ouriços de castanhas, que continuei a recolher, apesar do peso extra que representavam... enchi os bolsos do impermeável de grossas castanhas que embora ainda não tivessem o sabor que lhes daria uns dias mais de sol, já davam para mordiscar com prazer e para, mais tarde, já em casa, assar.... olá, se davam....!

Com 14 km já corridos, parei de novo em Valga, para mais um pequeno descanso e nova chávena de reconfortante café.  O impermeável podia agora regressar à mochila, que a chuva tinha acabado.

Não posso deixar de pensar que o meu caminho foi "abençoado" pela falta de chuva. Dizem que a chuva abençoa bodas, logo será de suspeitar que também o faça para outros eventos, de igual forma... mas caminhar sem ter que lutar contra a chuva na cara, e escapar a ficar todo encharcado, conforme mais cedo ou mais tarde acontece, por muito impermeável e respirável seja a nossa roupa, é, sem dúvida, uma sorte. Em particular na Galiza, na segunda metade de Setembro, altura em que não é de todo de estranhar uns dias já bastante molhados.

Sem muito mais para contar, o ritmo certo e constante da minha passada levou-me até à entrada da ponte sobre o rio Ulla, em Pontecesures. Do outro lado, Padrón, por onde entrei pelo lado do parque de estacionamento ao lado do mercado, local onde há bem pouco havia estado, em dia de feira, a comprar um cento dos afamados e deliciosos pimentos que levam o nome da vila de Rosalia de Castro, o Camões da nação Galega.

Não resisti a entrar no mercado e dar uma olhadela às bancas que, no entanto, tinham pouca coisa, num dia de meio da semana e já com a hora algo avançada. 

Só podia entrar no alojamento mais à frente, em Iria Flávia, às 14h, pelo que ainda tinha uma ou duas horas de espera. 

Não obstante, podia alijar a carga no hostel, e lá deixar, para já, a mochila, conforme me tinha informado telefonicamente junto do responsável pelo mesmo.

Assim fiz, mas acabei por me esquecer da carteira na mochila, pelo que de nada me valeu o tempo que estive à espera até poder entrar e que aproveitei para ir aos correios despachar a cartita do dia.

Queria cancelar os selos com o matasellos do Caminho que tinha visto no sítio dos correos, mas a simpática senhora que me atendeu disse-me que estava em Madrid, já que tinham sido todos recolhidos para envio para a capital

Como queria cancelar os selos, pedi-lhe para o fazer com a marca do dia mas, por mais boa vontade que a senhora tivesse, a operação revelou-se um drama, já que não um , mas dois, carimbos estavam avariados (as almofadas de tinta saltavam) e quer eu, quer ela, acabámos os dois com os dedos todos negros de tinta, com as mãos a lembrar uma cabeça de choco....

Enfim, lá conseguimos, por fim, cancelar os selos e eu fiquei ainda por Padrón um pouco mais, a fazer tempo, para poder voltar ao hostel.

Assim que pude, instalei-me então e banhoca tomada (já não precisava de tratar da roupa, porque a  que tinha lavada chegava para o último dia), lá parti para o Eroski da Vila, onde comprei camarões já cozidos, fruta e algo para beber que levei para o parque à beira rio, onde me sentei a comer.

Findo o repasto voltei ao hostel para uma reconfortante soneca, aperitivo para a visita à Fundação Camilo José Cela, ali mesmo em frente, do outro lado da estrada.

Nada sabia do museu da fundação, na verdade nada sabia de Cela, a não ser que era um laureado Nobel, do qual não me lembrava de ter alguma vez lido obra que fosse.

Uma busca prévia na wikipedia alertou-me para a dimensão polémica do autor, que entre outras coisas na vida, foi censor e apaniguado franquista, dimensões que encontro difíceis de justificar num autor que também ele próprio seria barrado de publicação por outros... censores e apaniguados franquistas....

Camilo José Cela, 1º Marquês de Iria Flávia, era neto do introdutor do caminho de ferro na Galiza, com uma primeira Linha entre santiago e Carril (Pontevedra), e esta ascendência conduziu à preservação de uma belíssima locomotiva original que, nos jardins fundação, brilha no esplendor de um imaculado restauro, enquanto duas outras mais modernas, aguardam a um canto do grande relvado idêntico tratamento.

O museu, para além dos objetos pessoais, edições múltiplas da obra, prémios recebidos,  guarda um curioso escaparate que alberga várias dezenas de garrafas de vários tipos de bebidas, todas vazias de líquido, mas cheias até ao gargalo de recordações e histórias que só elas saberão contar.

Camilo era um bom copo, parece. E tinha muitos amigos. Bons copos como ele. 

Cada vez que um em sua casa aparecia, trazia uma garrafa, para diluir a conversa, como natural e recomendável em longas sabatinas entre pessoas que compartem mais que um mero e passageiro conhecimento mútuo.

Esvaziada a garrafa, esta era assinada, até decorada, por vezes, se o ofertante tivesse dessa inclinações, e Camilo juntava-a à sua crescente coleção.

Hemingway, Picasso, Tzara e outros de que agora me não lembro,... quem não gostaria de ter bebido um copo com tão insignes nomes...

No fim da minha visita, outra surpresa me aguardava ainda. Lúcia, a imensamente simpática senhora que naquele dia oficiava a receção do museu, chamou-me e disse-me "Tenho um presente para lhe dar" e, debaixo do balcão tirou um exemplar de "A Colmeia" em português, que carimbou na primeira página com carimbo da fundação, que lhe pedi também para deixar no meu caderno que lhe motivou um simpático comentário de apreciação. Um sucesso, este meu caderninho.

Sai da Fundação com a certeza de ter passado um excelente e preenchido pedaço do dia, mas também com mais algumas gramas para somar às castanhas que já levava... enfim, coisa de pouca monta, já só faltava um dia....

Regressei ao albergue,  preenchi a página do dia no caderno de que me sentia tão orgulhoso e preparei um rápido jantar de atum e macedónia enlatados, findo o que partilhei umas talhadas de melancia com as duas moças alemãs que comigo tinham também estado em Vigo e que aqui encontrei aqui de novo.

Amanhã era o dia... estava quase!




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A igreja de Carracedo e a sua bota


Podia ser eu, mas só se fosse de calças compridas, que só vestia calções quando já não estava a caminhar....

Será preciso dizer alguma coisa?









A ponte em Pontecesures

D. Camilo, é omnipresente entre Padrón e Iria Flavia. 

Tal como os muitos caminhantes que percorrem esta estrada

Engraçadas estas caixas de correio que se encontram por vezes em Espanha.

Padrón 

A primeira locomotiva a circular na Galiza?


Cela repousa aqui, à sombra de uma velha Oliveira.