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domingo, 26 de abril de 2026

  GR11-E9 (Parte 14) -  S. Martinho do Porto - Foz do Arelho

22 de Abril de 2026




Três dias para ligar S. Martinho do Porto,  o último local que tocara nesta minha "peregrinação" costeira, havia já uns bons meses, ao Cabo Carvoeiro, fechando assim todo o caminho desde Setúbal até à Nazaré. 

Ansioso por começar, fazia-o, no entanto, com alguma ansiedade, por duas razões fundamentais, uma de ordem física e outra de planeamento de trajecto.

De facto, se bem que já tivesse experimentado uma tirada de mais de 20 km, depois de recuperado da perna partida, sem inconveniente de maior, a verdade é que o meu tendão de Aquiles esquerdo estava longe de se encontrar na melhor das condições e o esforço cumulativo de mais de 6o km de caminhada seguramente nada faria em prol da sua toral recuperação. Por outro lado, a etapa entre o Bom-Sucesso - onde chegaria após contornar toda a lagoa de Óbidos, por causa de uns meros 10-15 metros da boca da baía, que não são atravessáveis a vau - e o cabo Carvoeiro continha vários problemas de trajeto na sua primeira parte, uma vez que uma grande área da costa está aqui ocupada com campos de Golf e respetivos empreendimentos turísticos, o que obrigaria a encontrar forma de os contornar sem ter que trespassar vedações e áreas privadas.

Ainda em casa, como habitualmente, analisei mapas, fiz reservas de alojamento, comprei bilhetes de autocarro e procurei percursos, com o fito de encontrar o menor número de  surpresas possível. Uma vez satisfeito com as escolhas, fiz-me ao caminho.

O comboio levou-me ao  Terminal rodoviário de sete rios,   onde apanhei o autocarro que seria direto,  às 9h00.

Uma partida tão tardia era neste caso inevitável porque não consegui encontrar ligações Lisboa -S.Martinho antes daquela hora.

Cheguei a S. Martinho por volta das 10h50, isto é, tarde demais para começar uma caminhada com uma extensão desta dimensão, mas como o que não tem remédio, remediado está, assestei a mochila, armei os bastões e comecei a palmilhar as ruas da vila, em direção à praia, nãos em antes ter feito uma primeira paragem na Junta de Freguesia, para o habitual carimbo de passagem.

Transcorrida a praia subi a duna de Salir, não tendo no entanto optado por visitar a pequena capela que fica do lado de cá na abertura da "concha", porque fazê-lo acrescentaria mais cerca de 2 quilómetros ao trajecto e eu, como já referi, não estava muito seguro da minha capacidade física.

O caminho, daqui para a frente está devidamente marcado com sinalética de Grande Rota e pouco mais tive que segui-la, sabendo que me conduziria ao destino do dia.

O trilho mantinha muitas das características de outros caminhos que já percorri ao longo da costa, com uma ou outra exigência de subida e descida, mas com um piso geralmente fácil, livre de obstáculos e firme, ou seja, sem a pouco simpática areia solta que tanto me desagrada.

Uma placa, estrategicamente colocada no caminho anunciava "Pegadas de dinossauros" 200 metros. Não podia deixar de ir dar uma espreitadela e lá fui a descer pelo caminho até chegar a umas enormes lajes onde se notavam claramente as enormes marcas das patas dos grandes sáurios. Uns 30 ou 40 metros mais abaixo haveria mais, mas o terreno era bastante inclinado e eu não queria arriscar uma queda nas atuais condições...

Regressado ao trilho principal, prossegui a bom ritmo por uma paisagem que cada vez mais se afastava da encosta para se abeirar da Estrada Atlântica, que por aqui corre.

Devido à orografia da zona, parte do caminho é depois feito na berma desta estrada. No entanto há uma larga faixa no lado direito, que permite a circulação pedestre de forma bastante segura, ainda que no sentido contrário ao que as boas práticas de progressão recomendam.

A cerca de metade de percurso, parei num parque de merendas à beira da estrada que, apesar de totalmente exposto, garantia oportunidade de uma recomendável pausa para almoço sem grande desconforto, uma vez que o dia apesar de soalheiro era amenizado por uma brisa bastante fresca.

A pausa serviu também para aliviar os pés de dentro das botas que me parece agora não estarem mais adaptadas aos meus pés, em particular ao direito. Na realidade,  em razão da recente intervenção, o pé direito incha mais e a bota fica apertada, com o consequente desconforto  (que mais tarde se traduziria em abrasão, mas disso a seu tempo falarei).

Os pouco mais de dez quilómetros que me faltavam ainda foram transcorridos em grande medida na berma da estrada do Atlântico, até por fim encontrar os passadiços que conduzem à vila da Foz do Arelho, meu destino para o dia.

Aí chegado, dirigi-me de novo à Junta de Freguesia, com o intuito de carimbar o meu caderno de viagem. 

Fui atendido com invulgar amizade por duas senhoras, funcionárias da junta, que para além de me carimbarem o caderno, tiveram a enorme gentileza de me oferecer postais para que eu pudesse cumprir outra das minhas habituais rotinas - o postal do local de chegada.

Os últimos quinhentos metros  que me distanciavam ainda do local de pernoita foram palmilhados na antecipação de um retemperante duche e de umas horas de descanso horizontal, já que as pernas e em particular os pés se ressentiam dos meses de falta de preparação sistemática para este tipo de empreendimento.

O primeiro dia estava concluído.... o seguinte previa-se mais fácil, porque totalmente plano, na volta à lagoa de Óbidos... a ver iríamos....!


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Não iria deixar passar sem fotografia tão atraente portada....


A vista sobre a lagoa do largo fronteiro à Junta de Freguesia de S. Martinho



A praia e a entrada para a sua eterna "concha"



Farois. Provavelmente guiarão a entrada da barra da lagoa em conjugação co o que se encontra instalado no braço norte da sua entrada.



A ponte que permite cruzar a lagoa e aceder à duna de Salir


É sempre melhor quando o caminho está devidamente marcado....




Estamos na primavera, e dá-se bem por isso: Centaurea sphaerocephala e  Anagallis arvensis 




Podia ser na Costa Alentejana....




Pegadas de Dinossauros


a surpresa de um pequeno jardim, no duro  chão de pedra....



A estrada Atlântica, por onde se faz uma boa parte do caminho


Vasos pintados no parque de merendas...


... onde há também um pequeno santuário com uma imagem de Nossa Senhora. 


Esta será também um local de devoção, já que um pouco mais à frente, sobre a encosta, existe uma pequena ermida. 



Já o radar não será para detectar a aproximação de fiéis, por certo....


O primeiro vislumbre do destino: a lagoa de Óbidos, entalada entre as duas escarpas.

 

Ophrys apifera - Pelo caminho, ao longo dos três dias de caminhada,  fui encontrando nas bermas, com alguma frequência, pés isolados desta bonita orquídea.


A ruína de um moinho resiste no topo das escarpas...


... melhor que o arenito que vai sendo levado pela água e pelo vento para deixar verdadeiras facas à mostra no caminho... cuidado para não cair....





Por muito que pareça igual, nunca o é, e tampouco cansa,  olhar o mar do alto de uma escarpa.


Por fim, os passadiços da Foz do Arelho...;


....a entrada da lagoa...



... e a confirmação que tinha chegado ao fim da etapa.

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

 GR11-E9 (Parte 13) - Nazaré - S. Martinho do Porto

24 de Setembro de 2025



A pouco e pouco, vou adicionando quilómetros a um projeto que se auto-insinua: palmilhar a sós toda a faixa ocidental do continente, tanto quanto possível e viável, sem desprezo por considerações de segurança, o mais próximo da costa que me for possível.

Em linha reta, seguindo os contornos da costa no mapa do Google Earth e medindo com a ferramenta da aplicação, a distância total andará pelos 700 quilómetros.

Estou, no entanto, certo que este valor será por certo ultrapassado por qualquer caminhante que a semelhante projeto se abalance, uma vez que a realidade muito poucas vezes se conforma com a certeza de uma reta. 

Não que o objetivo seja a distância pela distância. De facto, no início, nem objetivo havia. Como acima escrevi, ele auto-instituíu-se à medida a que as pegadas foram deixando caminho marcado na estrada, na areia, na lama, na terra batida dos caminhos que tenho percorrido.
 
Ressalve-se também que parte do percurso é partilhado com dois outros objetivos - esses sim -  já concluídos: O "Caminho Português da Costa" integrando a rede dos Caminhos de Santiago, no troço entre Porto e Caminha, e o "Caminho dos Pescadores", que percorri integralmente, entre Lagos e Sines.

Apesar de tudo estou ainda  longe de ter a costa concluída, pelo que não me alongarei por agora em súmulas ou conclusões, ficando-me, como habitualmente, pelo relato de mais uma boa etapa desta minha longa caminhada.

Nestes próximos tempos, procurarei tirar partido da rede de transportes públicos de curto e médio-curso, tentando fazer saídas de um dia que me permitam o regresso a casa, uma vez concluídas. Desta forma poderei encaixar as saídas com mais facilidade nas minhas rotinas. 

De facto, com um pouco de planeamento pré-saída, é possível concluir que, num país tão pequeno quanto o nosso, é exequível muitas vezes estruturar caminhadas de um dia, partindo e regressando à nossa morada habitual.

Foi o que fiz agora, tendo saído de casa pouco passava das seis da manhã, para me dirigir de autocarro e depois de comboio até ao terminal rodoviário de Sete Rios, onde apanhei o expresso para a Nazaré, onde cheguei, pontualmente, às 9h30.

Queria começar a etapa no farol da vila,  que aproveitaria para visitar, mas a recente paragem  para manutenção do elevador que nos transporta da praia ao sítio,  preocupava-me pois não sabia se chegaria a tempo de apanhar o autocarro  alternativo que partia às 9h40.

Consegui fazê-lo sem qualquer problema (o autocarro seguinte só partia 40 minutos depois....) e por volta das 10h00 estava então no sítio da Nazaré a dirigir-me para a fortaleza do farol, passando ainda pelo posto de turismo para obter mais um carimbo de passagem para  o meu caderno de viagem.

A caminho do farol não pude deixar de reparar que, sendo dia de semana, quase fim de Setembro, e ainda relativamente cedo no dia, já eram bastantes as pessoas que percorriam a estrada com o mesmo fito que eu, indicação da relevância que o meu país tem efetivamente em termos turísticos, com tudo o que isso tem de bom e de menos bom.

Um estranho ser de uma nova mitologia guarda a descida que, com o promontório da fortaleza no meio, tem  de um lado a famosa Praia do Norte, a das grandes vagas, e do outro, a praia e a vila da Nazaré.

Corpo de surfer e cabeça de veado, numa alegórica fusão do novo e do velho nas tradições locais, "O Veado", da escultora Adália Alberto, foi ali instalado em 2021 e por mim, pode por ali continuar muitos anos, embora uma placa com uma breve explicação da razão de ser de tal cruzamento não fosse despropositada, para quem visita e nada sabe da estória de D. Fuas Roupinho....

A fortaleza vê-se depressa e para além de uma sala com algumas boas fotografias  do temível mar que por ali se faz enorme em alturas do ano, muito procuradas por temerários candidatos à surfar a maior onda do mundo, o visitante pode passar por outra em que se alinham nas paredes pranchas de surf, para tal efeito utilizadas pelos nomes mais sonantes dessa  tribo de verdadeiros malucos...

O farol, em si, ocupa a esquerda alta do terraço da fortaleza  e, tanto quanto creio, ainda se encontra ativo.

Infelizmente, quando visitei o local tinham instalado umas grades em torno da "lanterna", provavelmente porque a linha amarela pintada no chão e o letreiro "não ultrapassar a linha amarela" não seriam suficientes para deter a sanha dos fanáticos das selfies e do instagram, 

Não pude deixar de notar também as simpáticas gaivotas do ceramista Mário Reis que em boa hora pousaram no muro... que bem que ali ficam.

O regresso ao largo da igreja é feito sempre a subir, pelo que aproveitei para retirar os bastões da mochila, sendo que só os tornaria a guardar já em S. Martinho.

Mesmo a direito, gosto de caminhar com os bastões, apoiam-me no equilíbrio, retiram alguma carga do corpo e das pernas, e são inestimáveis quando surge algum buraco ou desnível inesperado.

Desta vez não tive grande dificuldade em comprar uns postais  e a primeira paragem do dia fi-la numa esplanada onde para além da indispensável chávena de café aproveitei para os escrever, endereçar e selar (homem prevenido com selos, vale por dois....)...

retomado o caminho, lá fui andando ladeira abaixo, qual D. Fuas, montado nos meus fieis bastões, passando por ofegantes turistas que me respondiam como podiam ao cordial sorriso que lhes atirava...

Gosto de cumprimentar pessoas quando por elas passo na rua. Não o faço, obviamente, em geral, quando estou numa rua em que as pessoas não têm outra razão para ali estar que ser obrigatório ponto de passagem para este ou aquele fim. Agora, quando me cruzo com alguém que me pareça estar, como eu, a fruir a própria rua, o momento, o simples passeio, a caminhada matinal, muitas vezes acrescento ao sorriso um "Bom dia", sincero e amistoso.

E gosto de ver as reações...

Alguns, mais preocupados com qualquer outra coisa, ou alienados do passeio que comigo compartem por uma história qualquer, musical ou não, que os agora tão pequenos auriculares lhes debitam nos ouvidos, ignoram pura e simplesmente; outros arregalam os olhos surpreendidos, surpresos e sem tempo útil de reação; outros ainda respondem por mera educação ou cordialidade; mas há sempre aqueles, e vê-se logo na forma como o fazem, muitas vezes até sem nada dizerem, que retribuem com igual ou ainda maior dose de cordialidade, e como me sabe bem esta pequena marca de civilidade, de fraternidade de espécie...

Como esta senhora, francesa, pressuponho, que, parada, para descansar um pouco da subida,
e escondida num par de óculos verdadeiramente escuros, me responde sorrindo "oh là là!" ...

A meio do percurso constato que a Nazaré foi também já atingida pela epidemia dos baloiços patetas, tão do agrado dos devotos da modernidade comunicacional, e continuo sem parar , embora me tenha sentido tentado a fotografar um casal que rebuscava poses artísticas para deslumbrar os seus fieis seguidores...

Já cá em baixo passo pelo correio para expedir os postais que lá em cima escrevera e  sigo viagem sem me deter mais por ali que o suficiente para, já na marginal à praia, passar pelos secadouros de peixe, que brilham na prata dos carapaus que o sol lentamente desidrata e escurece.

Sinal dos tempos, numa banca de peixe seco, vejo para além dos carapaus um sem-número de outros peixes que não consigo identificar, tirando o polvo, por razões óbvias ou quanto mais não seja, por não ser um peixe. Mas o que mais me chama a atenção é a carne laranja que ali brilha também... salmão.... "Deve ser por causa das alterações climáticas...", cogito, "não tarda nada teremos pinguins na Nazaré também..."

No fundo da praia, entro pela marina fora para evitar andar na estrada, coisa que me desconforta sempre um pouco. Enorme e com uma secção onde se amarram uma apreciável quantidade de potentes motos de água, algumas das quais deverão ser as que prestam apoio aos "Deslizadores das ondas grandes"... Para além da perícia na condução, os pilotos destas máquinas devem ter o mesmo "desarranjo" mental que leva os outros a descerem ondas de quase trinta metros de altura, montados em placas de um qualquer polímero ou fibra...

Pergunto a uma pessoa com quem me cruzo se a marina tem saída do outro lado, já que todo o perímetro me parece vedado e não quero ter que voltar para trás....confirma-me que  sim, e algum tempo depois estou de volta à estrada, até que finalmente cruzo a ponte sobre o rio Alcoa que ali tem foz e entro por uma estrada de terra batida que me vai, por fim, levar para os trilhos que correrão paralelos à costa, sempre a muito pouca distância do mar e me conduzirão no fim da jornada à bonita concha de São Martinho do Porto.

Uma tabuleta indica "Igreja de S. Gião". Saio da estrada para ir ver do que se trata. Um estranho edifício, com ar de ter sido alvo de recente intervenção" implantado no meio de uma área agrícola. Uma das fachadas parece uma normal edificação, com duas portas e duas janelas no topo... quase o alçado de um qualquer armazém, mas, de lado, uns bonitos arcos e capiteis de pedra trabalhada. Pena estar fechada, gostaria de ver lá dentro, onde mais arcos se deixam vislumbrar...

Leio depois que as origens remontam ao sec. VII e que constitui possivelmente um dos raros exemplos de templo asturiano conhecidos no nosso país. 

Ao lado, uma secção de aqueduto parece vir do nada e a nada conduzir...

Aproveito a sombra que enche a parede insuspeita do edifício e o facto de um degrau sobrelevado se encontrar à altura certa para sobre ele depositar a minha pessoa, para descansar um pouco e comer uma sandes e um iogurte que tinha, como sempre, trazido comigo.

Enquanto mastigava refletia sobre o facto de um dos prazeres de caminhar ser, sem dúvida, a descoberta. Nunca por aqui teria passado,  se não fosse pela razão porque agora o fazia e isso enchia-me de contentamento e motivação para continuar.

Ao longo da longa praia do Salgado, a pista corre com algumas secções em areia solta, a minha mais odiada Némesis, mas não há outro caminho e, na verdade, a extensão deste tipo de piso não é muito grande, estando para mais intervalada por trechos de terra firme, o que torna a progressão bastante mais fácil.

Por aqui não passava há dezenas de anos. Lembro-me de um fim de semana em que algures nestas dunas acampei com uns amigos....ainda andava na faculdade....ainda a minha barba tinha cor, mas ninguém o sabia, porque a fazia todos os dias....

Volto a subir. Há que ganhar cota para ultrapassar a extensão de arriba que divide a praia do Salgado da Praia da Gralha.

Aqui e ali avisos em cartazes chamam a atenção para a perigosidade do solo, extrema e profundamente fissurado. Sinto desconforto ao olhar para as fissuras que separam enormes blocos de arriba do chão que piso, passo esta secção em modo de passo apressado, até reganhar o solo mais reconfortante da estrada de terra batida que me irá conduzir à estrutura dedicada à descolagem de parapente, instalada no topo da arriba da praia da Gralha.

A atividade é imensa, com muitos parapentistas tirando partido das correntes ascendentes que por ali se formam, manobrando as vistosas asas insufladas com mestria e óbvio prazer.

Faço algumas fotografias e aproveito também para descansar um pouco, que São Martinho já não está longe.

Sigo pela estrada que me irá levar ao promontório do Miradouro do Facho.  A baía de São Martinho desenha-se no horizonte, para leste, e é para lá que me dirijo.

Antes de entrar na vila propriamente dita, quero ainda ir visitar o pequeno farol que marca a entrada na baía, no fecho norte da majestosa concha.

No regresso do farol, palmilho as poucas centenas de metros que me separam da marginal da vila e do banco de jardim, à sobra das árvores, em que me sento para descansar e comer a outra sandes que comigo trouxera. Tinha completado mais uma etapa com sucesso e agora restava-me o tempo de espera até ao autocarro pelas 19h00 que levaria de novo ao terminal de Sete Rios e ao comboio para a margem sul.

Procurei, como sempre o posto de turismo. Não havia carimbo, disse-me a simpática senhora, mas tinha melhor, disse-me, um pequeno e colorido autocolante, etc etc.

Depois de fixar o autocolante e de por baixo assinar com a data, disse-me "Olhe, talvez as colegas da junta possam pôr o carimbo"...

"Boa ideia" respondi. "É perto a Junta?"

 "É lá em cima, já lhe mostro... ah. Mas até vou telefonar primeiro para lhes perguntar.... oh... mas já são três e cinquenta e nove... fecham às quatro.... sabe, jornada contínua... já não vai dar"

Agradeci na mesma. À sua maneira tinha sido diligente e cordata, mas não haver carimbo no posto de turismo é também um pormenor que me irrita.... por certo não teria sido o primeiro a pedi-lo, tanto assim é que a senhora tinha a folhinha dos autocolantes sempre pronta.... 

"Sabe como é, este posto é da Junta, e eles lá em cima é que sabem..." 

Como tinha tempo a mais para queimar, fui procurar um postal para me enviar e lá fui ainda assim, mesmo sabendo que estava fechado, ao edifício da Junta, já que era nela que funcionavam os correios e que existia, suspeito, o único marco para depositar o mesmo, em toda a vila.

Cumpridos na íntegra todos os formalismos de viajante, dirigi-me para a paragem do expresso ao lado de um grande supermercado, em cujo café aguardei a cerca de hora e meia que me faltava até iniciar o regresso a casa, de onde agora, escrevo estas linhas, já mais de vinte e quatro horas passadas, mas ainda com umas irritantes dores nos tendões de Aquiles que me obrigaram já a marcar uma consulta de ortopedia....

Do resultado falarei um dia, a propósito da próxima etapa, que ainda não sei onde será.







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O veado parece perscrutar o horizonte 

talvez a procura de ondas na famosa praia do Norte,..


A caminhada do dia ir-me-á levar à reentrância no horizonte,
em frente ao bico esquerdo da rocha

O forte quinhentista de S. Miguel Arcanjo e o farol da Nazaré...

...habitat de curiosas gaivotas..







...que, pelo que se vê, se portam melhor que muitos dos humanos que por aqui passam...
Vai uma fotografiazita para o insta, vai?


A praia da Nazaré, vista do Sítio...

e vice-versa.


Os famosos carapaus a secar no solário

e a gama completa da oferta





A entrada para o porto de abrigo e marina



Há muito tempo que não via um pinheiro a ser sangrado...

Ruinas modernas, contrastam com ruínas muito mais antigas da


Igreja de S. Gião

preciosa, a talha da pedra....sec VII, dizem....

Não lhe corre água em cima, apenas o vento, mas só pela forma merece ali estar

A estrada que corre paralela à praia do Salgado

e uma colónia de Erva das pampas (Cortaderia selloana).


Uma pedra cheia de fósseis, que alguém virou no caminho.




No fim da praia do salgado, o horizonte anuncia já a Berlenga, as Estelas e os Farilhões 

Icnofósseis numa pedra do caminho

A praia do Salgado com a Nazaré ao fundo

As primeiras flores de urze que vi este ano




a passagem entre a praia do salgado e a praia da Gralha. Um pouco mais à frente,
toda a arriba ameaça ruir, com profundas fissuras e grandes blocos já totalmente separados....

Praia da Gralha


Salto? Não salto?

"What goes down...

must come up...."




A concha de São Martinho do Porto, desde o miradouro do Facho


a entrada da baía, guardada de um lado pelo farol e, do outro, pela capela de Santa Ana


De farol a farol... fim da viagem!