sexta-feira, 17 de abril de 2026

Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,

em partes, tantas quantas me promete a memória...

10 de  Abril - Espanha - Galiza

 A Coruña 

Parte II - Da cidade


Visitar uma cidade obriga  a várias deslocações por dentro do seu corpo, sejam estas previamente estruturadas num racional mapa de planeamento, ou apenas definidas quando a isso o obriga o simples facto de se querer ir de um lado para o outro.

Na verdade, quase sempre acabo por usar uma mistura de ambas, já que por mais planeamento prévio que o visitante possa estabelecer, aparecerá sempre algo imprevisto que motivará alterações à programação previamente estabelecida.

E depois,  algumas cidades são feitas para passear, em particular as suas zonas históricas, com uma dimensão decididamente mais humana do que os vastos e extensos conglomerados de almas em que todas, quase sem excepção, se tornaram.

Entre as deslocações aos vários museus e locais que pretendíamos visitar optámos sempre por andar a pé, já que as distâncias estavam dentro do razoável e o tempo de feição.

Estamos ainda na época baixa e apesar de se verem alguns autocarros de turistas e de se ouvir italiano e grego nas imediações da Torre de Hércules, passeava-se pela cidade e pelos seus pontos de interesse turístico sem se avistarem as avantajadas concentrações de humanidade que o verão irá sem dúvida atrair.

Tanto assim é que, à hora da siesta, passatempo que por aqui também se pratica com afinco, havia ruas literalmente desertas no centro da cidade velha, para gáudio deste visitante que tem uma proto-fobia de multidões, por causa do hábito que há muito cultiva de fotografar (de preferência sem gente pelo meio....)

Entre o passeio marítimo e a  cidade velha, muitos foram os motivos de interesse a exigir a paragem do olhar e um calmo clique de obturador. Por aqui os deixo:


Caronte, o barqueiro que levava as almas na sua barca no Hades,  obra do escultor galego Ramon Conde, observa os visitantes que percorrem o parque da Torre de Hércules, talvez procurando a quem oferecer serviços....


 

Breogan, o fundador de Brigantia (Corunha) e, reza a lenda,  construtor de uma enorme torre, a que os Romanos mais tarde deram corpo, com a construção da Torre de Hércules. A estátua de pedra é uma criação do escultor galego Xosé Cid.



A Caracola, obra do escultor Corunhês Mocho Amigo. Sempre me fascinou esta escultura que parece a casca de uma qualquer habitante marinho... ou um cachimbo invertido... ou uma antiga corneta auxiliar de audição


Se há coisa que seja típico da Corunha são as suas belas marquises envidraçadas, que mais belas ainda ficam quando o sol as faz brilhar, tanto que até fere a vista....





Não se pode passar pela Corunha sem se passar pela Praça Maria Pita, e pelo seu majestoso edifício do paço Municipal...


... Mas há mais modernismo para se espreitar naquelas ruas, se estivermos bem atentos....


Maravilhosa, esta porta Déco....


A hora da sesta pode não ser a melhor hora de luz para fotografar, mas comporta vantagens óbvias....




Curiosos e atraentes os efeitos estéticos das quadriculas , dos vidros, da luz, das cores.... 


Quando a rua vai deserta, e a luz ajuda, até uma simples tampa de poço de visita pode dar vida a uma fotografia


O pequeno farol do Castillo de San Antón não aguenta comparação com a majestosa Torre de Hércules, mas lá terá também cumprido a sua função....


O castillo de San Antón e a casa do respetivo governador.



A Marina de hoje com a torre de controle do porto e algo bem mais tradicional....



O Passeio Marítimo e os belíssimos suportes das antigas catenárias dos carros elétricos que, felizmente, ainda por ali se mantêm.





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