Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,
em partes, tantas quantas me promete a memória...
11 de Abril - Espanha - Galiza
A Coruña
Partia... de novo.
A torre lá ficaria, seguramente muito para lá do que eu por aqui estiver. Queria, no entanto, dizer-lhe adeus.. ou até à próxima, porque sinto que aqui hei de voltar... quanto mais não seja porque um dia há de aparecer outra exposição de fotografia que o justifique e, afinal, hoje as distâncias são mais curtas, se medidas nas possibilidades de transporte que temos ao nosso dispor e na qualidade das vias rodoviárias que ligam os nossos dois países.
Vento, fresco e forte, como compete a um local destes. Que seria da Costa da Morte sem o vento que trás o sal e o iodo que aspiro pelas narinas, enquanto procuro um olhar menos habitual sobre a 'Taça do Sol', do escultor Corunhês Pepe Galán.
Quase ninguém por aqui anda, posso fotografar à vontade, como gosto. Sabe-me bem. Não tivesse ainda bastantes quilómetros e visitas pela frente e deixar-me-ia estar por aqui uma boa parte da manhã, passeando de escultura em escultura.
Mas há uma que eu não posso mesmo deixar para trás, afinal foi por ela que aqui vim esta manhã. Vou até à sua beira pelo caminho forrado a laje de pedra que a ela conduz.
A inusitada forma da "Caracola" parece convidar-me à escuta. Por um momento pensei que, se perto da sua redonda boca me colocasse, iria ouvir outro som que não o do mar e do vento que me enchem os ouvidos. Talvez segredos, talvez histórias, talvez a pulsação da pedra, da terra, das gentes da Galiza... mas não. Nada mais ouço, talvez por ser estrangeiro, que os segredos, se os há, são para quem aqui tem raízes, ou emprestou o azul das veias ao mar que aqui lhe toma a côr.
Adeus Caracola; adeus Hércules: como os teus, também os meus trabalhos aqui estão concluídos, e a verde Galiza chama-me...




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