Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,
em partes, tantas quantas me promete a memória...
11 de Abril - Espanha - Galiza
Allariz
Nunca aqui chegara, mas há uns anos que Allariz não me era um nome estranho, entrelaçado que um dia se me oferecera nos vídeos do magnífico Carlos Núñez... só poderia ser terra de encanto, ou não fosse inspiração para a belíssima marcha que o Maestro teceu.
Parámos no terreiro da feira de que, infelizmente, já só uma ou duas bancas em desmontagem restava, e partimos para uma volta pela vila, quase deserta, acompanhados por um vento frio, a roçar o desagradável, que dava uma nota invernal ao sol que, não obstante, teimava em brilhar desafogado.
Casas de pedra, ruas estreitas e a evocação de um filho da terra, que eu também desconhecia por completo, mas bastou-me uma sua fotografia - pois de um fotógrafo se tratava - em boa hora mostrada na rua como parte de uma exposição evocativa que parecia aquecer o frio granito das casas, para perceber que a honra era mais que devida.
O rapaz segura o barco e nele segura provavelmente o seu futuro, ou não fosse a Galiza terra de gentes do mar, enquanto dirige o olhar para um horizonte que o espetador não vislumbra no enquadramento, tal como, provavelmente, acontece com o do próprio sujeito do retrato: incerteza, a sorte (a má e a boa), o futuro... e a recordação do diabo em Gil Vicente: "À barca, à barca, senhores, barca mui nobrecida, à barca, à barca da vida!"
Uma obra a descobrir, pelo menos por mim: José Suarez, fotógrafo Galego.
Passamos em frente ao museu do brinquedo. Optamos por não visitar que o relógio avança. Descemos até ao cemitério prostrado sobre a encosta que leva ao rio Arnoia e que marca o lime da vila e voltamos para o local de partida, continuando por vielas estreitas e ensombradas por fria pedra.









Sem comentários:
Enviar um comentário