domingo, 19 de abril de 2026

 Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,

em partes, tantas quantas me promete a memória...

11 de  Abril - Espanha - Galiza

 Orense 


Orense. Outra cidade que não visitava há largos anos.... a última vez, tínhamo-lo feito eram ainda crianças as minha filhas... tempus fugit... por supuesto!...

Certamente  por essa razão, poucas memórias restavam... todos os locais me pareciam novos (salvo um de que falarei mais tarde)... até mesmo a Praza Mayor por onde começámos o passeio depois de uma primeira paragem junto das termas da Chavasqueira, um dos curiosos espaços termais à beira do Minho que por aqui se encontram para disfrute gratuito pela população e visitantes. 

Para nós foi antes o local da pausa para umas sandes,  num dos bancos  ali instalados e de um curto passeio à beira-rio para estirar as pernas.

Toda a zona do centro histórico de Orense é pedonal, o que permite um passeio despreocupado e mais atento às particularidades do entorno que às vicissitudes do tráfego. Mais ainda quando se o faz numa tarde ventosa e fria de sábado, quando tudo se encontra já fechado, salvo alguns restaurantes, espalhados por uma ou duas das estreitas ruas que lhe servem de artérias.

Orense é também cidade que se arrasta por uma encosta e o nosso passeio levou-nos cerca de cinquenta metros acima da cota da Praza Mayor até ao miradouro em frente ao Convento de San Francisco, onde pretendíamos visitar o claustro. Infelizmente só abriria de novo às cinco da tarde, pelo que voltámos para a zona baixa da cidade, para visitar o único local da cidade de que me lembrava claramente: as burgas.

"Pai, a água é boa para beber?", perguntou-me a minha filha mais velha

Eu, sabendo que a água era quente, mas julgando que jorraria a uma temperatura inofensiva, irrefletidamente, respondi "Experimenta".

Felizmente apenas tocou com os lábios na água que soube depois jorra a mais de 60 graus celsius, o que ainda assim lhe causou uma pequena queimadura, felizmente sem necessidade de qualquer cuidado especial.... já eu, fiquei com o desconforto para sempre....

O Minho e uma curiosa escultura  ao pé das Termas da Chavasqueira

Praza Mayor


Não visitei o claustro do convento de San Francisco, mas pude passar por várias e fotogénicas arcadas na Praza Mayor

 

Algo quase impensável hoje em dia...: ruas de centro histórico completamente vazias ao início da tarde... como é bom 😊

O cruzeiro na rua de Bailen  protege talvez os peregrinos (por aqui passa o Caminho de Santiago) ou , quem sabe, os visitantes, na sua ascensão ao mirador, passando por ...


... uma curiosa praceta de um enorme edifício em crescente.

A vista lá de cima, no entanto, não é propriamente avassaladora, já que, tirando a torre e o campanário da  catedral, as retinas apenas alcançam o laranja dos telhados 


Pelo caminho, fui-me dedicando a outra das minhas obsessões fotográficas: portas, a sua óbvia e expectável geometria e a sua inesperada e nem sempre enriquecedora policromia.

A fonte da Praza do Ferro onde lavámos a desilusão... 

...por o Bar Orejas estar fechado e não podermos provar uma das suas afamadas sandes das ditas que lhe dão nome....

Alguma da estatuária da cidade

 Xaime Quessada,  O Mouchiño

Acisclo Manzano, Maternidad                              Ramón Conde,  La Lechera

César Lombera, O Carrabouxo, personagem de banda desenhada com presença no imprensa local e tão querido dos Ouresenses que teve direito a uma divertida estátua numa das praças da cidade.


 O Interessante  edifício Viacambre, datado de 1974, também conhecido como "A colmeia", 
 concebido por Juan Rodríguez de la Cruz., que alberga hoje  a radio Ourense




E por fim.. as Burgas, e as memórias que, em família, recordamos não com prazer, mas com alguma bonomia e com a certeza de ser  um daqueles momentos que nunca se nos apagarão da lembrança...

"Experimenta..."

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