sábado, 25 de abril de 2026

Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,

em partes, tantas quantas me promete a memória...

12 de  Abril - Espanha - Galiza

Ribadavia

Epílogo


Uma última visita restava ainda antes de nos dirigirmos para o lado de cá da fronteira.

Tínhamos jantado aqui na noite anterior (e mesmo agora, enquanto escrevo, guardo na alma o sabor delicado das fresquíssimas zamburrinhas e navalhas que acompanharam o inescapável pulpo à feira ..).

O dia ia longo e a luz escassa, por isso deixámos a visita para hoje, acompanhada por um aguaceiro que nos obrigou a procurar o resguardo de um toldo num dos cafés da Praça Mayor durante alguns minutos.

Domingo, dia de missa. Enquanto os devotos se dirigiam, a sós ou em pequenos grupos, para a igreja paroquial de Santo Domingo, onde a função estava prestes a ter início, na rua em frente a um ou outro bar, grandes caldeirões fervilhavam já para a cozedura dos polvos que seriam depois servidos nos típicos pratos de madeira, por enquanto arrumados em pilha sobre uma mesa.

Ao lado do convento e igreja de Santo Domingo, fica o santuário de Nosa Señora do Portal e enquanto por ali estive não pude deixar de reparar que  muitas das pessoas que se dirigiam à igreja para participarem na missa, por ali passavam primeiro, espreitando o interior iluminado desta outra igreja, através do portão gradeado que barrava a entrada.


Deambulámos sem preocupação nem plano pelas ruas velhas e estreitas do centro histórico,  deixando-me como sempre cativar pelos jogos de luz, as cores, as construções, a história.... enfim, passeio típico de turista, numa cidade em que, mais uma vez, beneficiávamos da ausência de outros como nós.




Silêncio, nada se ouvia, para além dos passos sobre as calçadas molhadas do aguaceiro. Ainda há lugares assim, e com tanto para ver e descobrir, como a belíssima portada da Igreja de Santiago, que remonta ao sec. XIII, com a sua porta ornamentada com as simbólicas vieiras



ou a malfadada Casa da Inquisição, do sec. XVI situada no bairro Judeu da Ribadavia, com a entrada ornada com os brazões das cinco famílias responsáveis pela Inquisição nesta área da Galiza: Puga; García Camba; Bahamonde; escudo não identificado e  Mosquera-Sandoval.
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os nossos passos levam-nos de  novo na Praça Mayor. Terminámos o passeio. É hora de seguir para casa, para a monotonia cinemática da auto-estrada.... 



uma ponte sobre o Minho  traz-nos para o nosso lado. A ponte chama-se "da Amizade"... assim se deveriam chamar todas as pontes por este mundo fora......









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