quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

 


Sabe-me ainda melhor a luz, agora que o mundo  parece encolher-se cada vez mais sob as trevas da ignorância, da crendice manipuladora, da mais abjeta irracionalidade.

Boas Festas!

 

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Tempo de sobra. Coisa rara em mim, que tenho sempre algo para fazer.

A contrariedade de um perónio fracturado, remete-me a tal estado.  

Deitado, de perna para o ar, procuro empurrar os ponteiros do relógio com coisas poucas, formas de andar que dispensem pernas, pés, em particular, tornozelos...

Livros... Onde estaria sem eles?...

...a  facilidade do écran pequeno do telemóvel, por agora,  minha janela para o mundo...

...o pensamento, chamemos assim ao, por enquanto, perene processador que me permite congeminar resposta à contrariedade casual que me reclama.

E porque não um poema? Feito ele também da arbitrariedade dos dias, do acaso simples da frase? Quase um singular cadavre exquis de um só autor, um jogo de construção com tijolos-palavra, tudo por puro diletantismo e necessidade de encher os sessenta segundos de um minuto com massa crítica que o estoure em foguetaço em cadeia. 

Sem outras regra que a necessidade de, no seu curso construtivo, lhe deixar espaço para algum tipo de rima, só por uma questão de musicalidade e de tornar o exercício um mícron mais exigente.

Avancemos então. Todos os dias, uma linha.

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Se o sal tem flor, mar é jardim

e as ondas vento, movimento

constante, de seara sem fim,

Vai-vem eterno, paramento

sacro que desce sobre o dia

até que  perca toda a cor

e se converta em noite fria

linho de estrelas, inverso alvor.


Contemplo o  voo das gaivotas

 dobras de ar que asas revelam

num voltejar de tantas voltas

que juraria que se atropelam.


 Procuram peixe, sobra-lhes espuma

e o desalento sobre a areia 

em que vão pousando, uma a uma,

maré de nada, inda assim cheia.


 Já não lhes ouço a gritaria

   que o ar fendia, em frenesim 

má foi a sorte da pescaria 

 de fome e frio vai o festim


Da arriba faço miradouro

só, entre as árvores, espalho o olhar

no horizonte, embarcadouro

de sonhos, almas, a borbulhar

no  fio de ouro com que se escreve

a linha luz de céu e mar

ferida no azul com traço leve

que logo a noite vai apagar


Só o tempo passa, a par do vento,

o resto é pedra ou simples terra,

imóvel tela, perene momento,

segredo fátuo, que o dia encerra

pois tudo agora é lá fora

lá, onde as brumas escondem fadas

seres de encantar e reis de outrora 

ou almas vis e desoladas.


Se azul o mar não me encantasse

por ter a cor que pinta as veias

e de outros tons o encontrasse

à luz de noites de luas cheias

razão teria p'ra questionar

o atrevimento da paleta

que imagino a derramar

as tantas cores do meu planeta.


Se ao menos luzisse um farol

se ar e luz fizessem par

se o tempo não corresse mole

 e a lua fulgisse em luar...

inútil esperança ou simples medo

 de um escuro que me invento

e para mim guardo em segredo

à sombra turva do desalento.


Mas mais palavras não vou ter

para contar o que não vi

o tempo passa a correr

e a escrita fica por aqui.....



Finalmente, após mais de 50 dias, tantos quantas as linhas que acima deixei,  quase dois meses de confinamento forçado, posso, de novo, começar  a  sustentar-me na perna que parti.... não era sem tempo!

As palavras ajudaram-me a passar estes dias; juntei-as mostrando muitas vezes uma óbvia falta de jeito. Ela próprias me empurraram na direção que escolheram... e os dias foram passando... melhor, por causa delas.... é o que importa!


 















sábado, 25 de outubro de 2025

 


Um ponto barco entre as ondas se adivinha, 
que nunca vela enfunou ali sozinha.
Feito vigia, procuro-lhe rumo sem duvidar:
do mar ou céu, há de vir um p'ra me levar.


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

 GR11-E9 (Parte 13) - Nazaré - S. Martinho do Porto

24 de Setembro de 2025



A pouco e pouco, vou adicionando quilómetros a um projeto que se auto-insinua: palmilhar a sós toda a faixa ocidental do continente, tanto quanto possível e viável, sem desprezo por considerações de segurança, o mais próximo da costa que me for possível.

Em linha reta, seguindo os contornos da costa no mapa do Google Earth e medindo com a ferramenta da aplicação, a distância total andará pelos 700 quilómetros.

Estou, no entanto, certo que este valor será por certo ultrapassado por qualquer caminhante que a semelhante projeto se abalance, uma vez que a realidade muito poucas vezes se conforma com a certeza de uma reta. 

Não que o objetivo seja a distância pela distância. De facto, no início, nem objetivo havia. Como acima escrevi, ele auto-instituíu-se à medida a que as pegadas foram deixando caminho marcado na estrada, na areia, na lama, na terra batida dos caminhos que tenho percorrido.
 
Ressalve-se também que parte do percurso é partilhado com dois outros objetivos - esses sim -  já concluídos: O "Caminho Português da Costa" integrando a rede dos Caminhos de Santiago, no troço entre Porto e Caminha, e o "Caminho dos Pescadores", que percorri integralmente, entre Lagos e Sines.

Apesar de tudo estou ainda  longe de ter a costa concluída, pelo que não me alongarei por agora em súmulas ou conclusões, ficando-me, como habitualmente, pelo relato de mais uma boa etapa desta minha longa caminhada.

Nestes próximos tempos, procurarei tirar partido da rede de transportes públicos de curto e médio-curso, tentando fazer saídas de um dia que me permitam o regresso a casa, uma vez concluídas. Desta forma poderei encaixar as saídas com mais facilidade nas minhas rotinas. 

De facto, com um pouco de planeamento pré-saída, é possível concluir que, num país tão pequeno quanto o nosso, é exequível muitas vezes estruturar caminhadas de um dia, partindo e regressando à nossa morada habitual.

Foi o que fiz agora, tendo saído de casa pouco passava das seis da manhã, para me dirigir de autocarro e depois de comboio até ao terminal rodoviário de Sete Rios, onde apanhei o expresso para a Nazaré, onde cheguei, pontualmente, às 9h30.

Queria começar a etapa no farol da vila,  que aproveitaria para visitar, mas a recente paragem  para manutenção do elevador que nos transporta da praia ao sítio,  preocupava-me pois não sabia se chegaria a tempo de apanhar o autocarro  alternativo que partia às 9h40.

Consegui fazê-lo sem qualquer problema (o autocarro seguinte só partia 40 minutos depois....) e por volta das 10h00 estava então no sítio da Nazaré a dirigir-me para a fortaleza do farol, passando ainda pelo posto de turismo para obter mais um carimbo de passagem para  o meu caderno de viagem.

A caminho do farol não pude deixar de reparar que, sendo dia de semana, quase fim de Setembro, e ainda relativamente cedo no dia, já eram bastantes as pessoas que percorriam a estrada com o mesmo fito que eu, indicação da relevância que o meu país tem efetivamente em termos turísticos, com tudo o que isso tem de bom e de menos bom.

Um estranho ser de uma nova mitologia guarda a descida que, com o promontório da fortaleza no meio, tem  de um lado a famosa Praia do Norte, a das grandes vagas, e do outro, a praia e a vila da Nazaré.

Corpo de surfer e cabeça de veado, numa alegórica fusão do novo e do velho nas tradições locais, "O Veado", da escultora Adália Alberto, foi ali instalado em 2021 e por mim, pode por ali continuar muitos anos, embora uma placa com uma breve explicação da razão de ser de tal cruzamento não fosse despropositada, para quem visita e nada sabe da estória de D. Fuas Roupinho....

A fortaleza vê-se depressa e para além de uma sala com algumas boas fotografias  do temível mar que por ali se faz enorme em alturas do ano, muito procuradas por temerários candidatos à surfar a maior onda do mundo, o visitante pode passar por outra em que se alinham nas paredes pranchas de surf, para tal efeito utilizadas pelos nomes mais sonantes dessa  tribo de verdadeiros malucos...

O farol, em si, ocupa a esquerda alta do terraço da fortaleza  e, tanto quanto creio, ainda se encontra ativo.

Infelizmente, quando visitei o local tinham instalado umas grades em torno da "lanterna", provavelmente porque a linha amarela pintada no chão e o letreiro "não ultrapassar a linha amarela" não seriam suficientes para deter a sanha dos fanáticos das selfies e do instagram, 

Não pude deixar de notar também as simpáticas gaivotas do ceramista Mário Reis que em boa hora pousaram no muro... que bem que ali ficam.

O regresso ao largo da igreja é feito sempre a subir, pelo que aproveitei para retirar os bastões da mochila, sendo que só os tornaria a guardar já em S. Martinho.

Mesmo a direito, gosto de caminhar com os bastões, apoiam-me no equilíbrio, retiram alguma carga do corpo e das pernas, e são inestimáveis quando surge algum buraco ou desnível inesperado.

Desta vez não tive grande dificuldade em comprar uns postais  e a primeira paragem do dia fi-la numa esplanada onde para além da indispensável chávena de café aproveitei para os escrever, endereçar e selar (homem prevenido com selos, vale por dois....)...

retomado o caminho, lá fui andando ladeira abaixo, qual D. Fuas, montado nos meus fieis bastões, passando por ofegantes turistas que me respondiam como podiam ao cordial sorriso que lhes atirava...

Gosto de cumprimentar pessoas quando por elas passo na rua. Não o faço, obviamente, em geral, quando estou numa rua em que as pessoas não têm outra razão para ali estar que ser obrigatório ponto de passagem para este ou aquele fim. Agora, quando me cruzo com alguém que me pareça estar, como eu, a fruir a própria rua, o momento, o simples passeio, a caminhada matinal, muitas vezes acrescento ao sorriso um "Bom dia", sincero e amistoso.

E gosto de ver as reações...

Alguns, mais preocupados com qualquer outra coisa, ou alienados do passeio que comigo compartem por uma história qualquer, musical ou não, que os agora tão pequenos auriculares lhes debitam nos ouvidos, ignoram pura e simplesmente; outros arregalam os olhos surpreendidos, surpresos e sem tempo útil de reação; outros ainda respondem por mera educação ou cordialidade; mas há sempre aqueles, e vê-se logo na forma como o fazem, muitas vezes até sem nada dizerem, que retribuem com igual ou ainda maior dose de cordialidade, e como me sabe bem esta pequena marca de civilidade, de fraternidade de espécie...

Como esta senhora, francesa, pressuponho, que, parada, para descansar um pouco da subida,
e escondida num par de óculos verdadeiramente escuros, me responde sorrindo "oh là là!" ...

A meio do percurso constato que a Nazaré foi também já atingida pela epidemia dos baloiços patetas, tão do agrado dos devotos da modernidade comunicacional, e continuo sem parar , embora me tenha sentido tentado a fotografar um casal que rebuscava poses artísticas para deslumbrar os seus fieis seguidores...

Já cá em baixo passo pelo correio para expedir os postais que lá em cima escrevera e  sigo viagem sem me deter mais por ali que o suficiente para, já na marginal à praia, passar pelos secadouros de peixe, que brilham na prata dos carapaus que o sol lentamente desidrata e escurece.

Sinal dos tempos, numa banca de peixe seco, vejo para além dos carapaus um sem-número de outros peixes que não consigo identificar, tirando o polvo, por razões óbvias ou quanto mais não seja, por não ser um peixe. Mas o que mais me chama a atenção é a carne laranja que ali brilha também... salmão.... "Deve ser por causa das alterações climáticas...", cogito, "não tarda nada teremos pinguins na Nazaré também..."

No fundo da praia, entro pela marina fora para evitar andar na estrada, coisa que me desconforta sempre um pouco. Enorme e com uma secção onde se amarram uma apreciável quantidade de potentes motos de água, algumas das quais deverão ser as que prestam apoio aos "Deslizadores das ondas grandes"... Para além da perícia na condução, os pilotos destas máquinas devem ter o mesmo "desarranjo" mental que leva os outros a descerem ondas de quase trinta metros de altura, montados em placas de um qualquer polímero ou fibra...

Pergunto a uma pessoa com quem me cruzo se a marina tem saída do outro lado, já que todo o perímetro me parece vedado e não quero ter que voltar para trás....confirma-me que  sim, e algum tempo depois estou de volta à estrada, até que finalmente cruzo a ponte sobre o rio Alcoa que ali tem foz e entro por uma estrada de terra batida que me vai, por fim, levar para os trilhos que correrão paralelos à costa, sempre a muito pouca distância do mar e me conduzirão no fim da jornada à bonita concha de São Martinho do Porto.

Uma tabuleta indica "Igreja de S. Gião". Saio da estrada para ir ver do que se trata. Um estranho edifício, com ar de ter sido alvo de recente intervenção" implantado no meio de uma área agrícola. Uma das fachadas parece uma normal edificação, com duas portas e duas janelas no topo... quase o alçado de um qualquer armazém, mas, de lado, uns bonitos arcos e capiteis de pedra trabalhada. Pena estar fechada, gostaria de ver lá dentro, onde mais arcos se deixam vislumbrar...

Leio depois que as origens remontam ao sec. VII e que constitui possivelmente um dos raros exemplos de templo asturiano conhecidos no nosso país. 

Ao lado, uma secção de aqueduto parece vir do nada e a nada conduzir...

Aproveito a sombra que enche a parede insuspeita do edifício e o facto de um degrau sobrelevado se encontrar à altura certa para sobre ele depositar a minha pessoa, para descansar um pouco e comer uma sandes e um iogurte que tinha, como sempre, trazido comigo.

Enquanto mastigava refletia sobre o facto de um dos prazeres de caminhar ser, sem dúvida, a descoberta. Nunca por aqui teria passado,  se não fosse pela razão porque agora o fazia e isso enchia-me de contentamento e motivação para continuar.

Ao longo da longa praia do Salgado, a pista corre com algumas secções em areia solta, a minha mais odiada Némesis, mas não há outro caminho e, na verdade, a extensão deste tipo de piso não é muito grande, estando para mais intervalada por trechos de terra firme, o que torna a progressão bastante mais fácil.

Por aqui não passava há dezenas de anos. Lembro-me de um fim de semana em que algures nestas dunas acampei com uns amigos....ainda andava na faculdade....ainda a minha barba tinha cor, mas ninguém o sabia, porque a fazia todos os dias....

Volto a subir. Há que ganhar cota para ultrapassar a extensão de arriba que divide a praia do Salgado da Praia da Gralha.

Aqui e ali avisos em cartazes chamam a atenção para a perigosidade do solo, extrema e profundamente fissurado. Sinto desconforto ao olhar para as fissuras que separam enormes blocos de arriba do chão que piso, passo esta secção em modo de passo apressado, até reganhar o solo mais reconfortante da estrada de terra batida que me irá conduzir à estrutura dedicada à descolagem de parapente, instalada no topo da arriba da praia da Gralha.

A atividade é imensa, com muitos parapentistas tirando partido das correntes ascendentes que por ali se formam, manobrando as vistosas asas insufladas com mestria e óbvio prazer.

Faço algumas fotografias e aproveito também para descansar um pouco, que São Martinho já não está longe.

Sigo pela estrada que me irá levar ao promontório do Miradouro do Facho.  A baía de São Martinho desenha-se no horizonte, para leste, e é para lá que me dirijo.

Antes de entrar na vila propriamente dita, quero ainda ir visitar o pequeno farol que marca a entrada na baía, no fecho norte da majestosa concha.

No regresso do farol, palmilho as poucas centenas de metros que me separam da marginal da vila e do banco de jardim, à sobra das árvores, em que me sento para descansar e comer a outra sandes que comigo trouxera. Tinha completado mais uma etapa com sucesso e agora restava-me o tempo de espera até ao autocarro pelas 19h00 que levaria de novo ao terminal de Sete Rios e ao comboio para a margem sul.

Procurei, como sempre o posto de turismo. Não havia carimbo, disse-me a simpática senhora, mas tinha melhor, disse-me, um pequeno e colorido autocolante, etc etc.

Depois de fixar o autocolante e de por baixo assinar com a data, disse-me "Olhe, talvez as colegas da junta possam pôr o carimbo"...

"Boa ideia" respondi. "É perto a Junta?"

 "É lá em cima, já lhe mostro... ah. Mas até vou telefonar primeiro para lhes perguntar.... oh... mas já são três e cinquenta e nove... fecham às quatro.... sabe, jornada contínua... já não vai dar"

Agradeci na mesma. À sua maneira tinha sido diligente e cordata, mas não haver carimbo no posto de turismo é também um pormenor que me irrita.... por certo não teria sido o primeiro a pedi-lo, tanto assim é que a senhora tinha a folhinha dos autocolantes sempre pronta.... 

"Sabe como é, este posto é da Junta, e eles lá em cima é que sabem..." 

Como tinha tempo a mais para queimar, fui procurar um postal para me enviar e lá fui ainda assim, mesmo sabendo que estava fechado, ao edifício da Junta, já que era nela que funcionavam os correios e que existia, suspeito, o único marco para depositar o mesmo, em toda a vila.

Cumpridos na íntegra todos os formalismos de viajante, dirigi-me para a paragem do expresso ao lado de um grande supermercado, em cujo café aguardei a cerca de hora e meia que me faltava até iniciar o regresso a casa, de onde agora, escrevo estas linhas, já mais de vinte e quatro horas passadas, mas ainda com umas irritantes dores nos tendões de Aquiles que me obrigaram já a marcar uma consulta de ortopedia....

Do resultado falarei um dia, a propósito da próxima etapa, que ainda não sei onde será.







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O veado parece perscrutar o horizonte 

talvez a procura de ondas na famosa praia do Norte,..


A caminhada do dia ir-me-á levar à reentrância no horizonte,
em frente ao bico esquerdo da rocha

O forte quinhentista de S. Miguel Arcanjo e o farol da Nazaré...

...habitat de curiosas gaivotas..







...que, pelo que se vê, se portam melhor que muitos dos humanos que por aqui passam...
Vai uma fotografiazita para o insta, vai?


A praia da Nazaré, vista do Sítio...

e vice-versa.


Os famosos carapaus a secar no solário

e a gama completa da oferta





A entrada para o porto de abrigo e marina



Há muito tempo que não via um pinheiro a ser sangrado...

Ruinas modernas, contrastam com ruínas muito mais antigas da


Igreja de S. Gião

preciosa, a talha da pedra....sec VII, dizem....

Não lhe corre água em cima, apenas o vento, mas só pela forma merece ali estar

A estrada que corre paralela à praia do Salgado

e uma colónia de Erva das pampas (Cortaderia selloana).


Uma pedra cheia de fósseis, que alguém virou no caminho.




No fim da praia do salgado, o horizonte anuncia já a Berlenga, as Estelas e os Farilhões 

Icnofósseis numa pedra do caminho

A praia do Salgado com a Nazaré ao fundo

As primeiras flores de urze que vi este ano




a passagem entre a praia do salgado e a praia da Gralha. Um pouco mais à frente,
toda a arriba ameaça ruir, com profundas fissuras e grandes blocos já totalmente separados....

Praia da Gralha


Salto? Não salto?

"What goes down...

must come up...."




A concha de São Martinho do Porto, desde o miradouro do Facho


a entrada da baía, guardada de um lado pelo farol e, do outro, pela capela de Santa Ana


De farol a farol... fim da viagem!

quarta-feira, 17 de setembro de 2025



Colaboradores de todos os Países, Uni-vos!




Precisa-se colaborador,

que há muito para fazer.

Pode ser branco ou de qualquer cor

e até lhe damos de comer.

Só não poderá trabalhar,

que é coisa ultrapassada,

ou haveria que justificar 

não ter salário, mas mesada…

E ademais, colaborar…,

ele haverá verbo mais justo

para quem venha aqui suar

a preço de saldo e baixo-custo?


Saudemos pois o nobre anúncio

e a humanidade do eufemismo,

insuperável  abrenúncio

pr’ó cheiro vago a comunismo

que emana de "Trabalhador",

palavrão torpe e desfasado

da realidade e do valor

que "Colaborar" tem demonstrado.