quarta-feira, 21 de março de 2018



Dia Internacional da Árvore
Dia Mundial da Poesia
(histórias de um dia que é só um,
embalado em óbvia redundância)


Folha a folha constrói-se o pássaro
que sobra, fugaz, da ponta de um ramo.
No intenso escuro, que não vejo
a coberto do verde, adivinha-se o ninho.


Há histórias por contar na velha árvore.
Sabe-o o gato, ou não estaria aqui
a olhar para o céu, mesmo sabendo-se ateu.


Passa o camião do lixo;
As crianças correm para a escola;
os pais para o trabalho;
a nuvem para o chão (confirmando a acutilância do boletim meteorológico).


O gato, mesmo assim, não sai do sítio;
tampouco o pássaro, embora nem ele, nem eu, o consigamos ver,
no intenso escuro, a coberto do verde.
É só isto

A Primavera.

PS. Não fora a UNESCO e já há muito que este seria o dia da poesia. Parabéns Joan Sebastian Bach! 

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