quarta-feira, 15 de abril de 2026

   Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,

em partes, tantas quantas me promete a memória...

9 de  Abril - Espanha - Galiza

 A Coruña



O Pretexto.

Annie Leibovitz. Um nome que é sinónimo de um certo século vinte, que também foi e é o meu século vinte, tecido nas páginas da Rolling Stone, da Vanity Fair e da Vogue, mas que fácil e rapidamente transbordou para o panteão dos fazedores da memória.

Eu nunca li a Rolling Stone; eu nunca li a Vanity Fair ou a Vogue, muito embora esporadicamente me tenha cruzado com as três, quanto mais não fosse nos escaparates das lojas de revistas (coisa que também remete logo para um tempo em que os anos se escreviam sem um dois na ordem dos milhares).  Primeiro porque neste país que habito, revistas estrangeiras, antes que alguém abanasse um cravo na rua, eram raras e caras; depois, porque deixaram de ser raras, mas continuaram a ser caras e, depois ainda, porque quando finalmente as podia comprar e ler, os meus interesses estavam, como estão, muito distantes da alta ou até da baixa costura e das peripécias das vidas das pessoas que em geral habitam as páginas de títulos como os citados (muito embora a música e os músicos seja tema que  desde sempre me interessou).

As fotos de Annie Liebovitz, no entanto, transcendem o suporte que habitam. Não há quem goste de fotografia que nunca dela tenha ouvido falar. É um nome inescapável em qualquer antologia fotográfica da segunda metade do tal século que nomeei e eternamente colado nas imagens que guardamos na memória de alguns dos outros nomes que, de alguma forma, nos habitam a existência, sejam eles uma respeitável senhora de nome Patti Smith, um rapaz não menos respeitável chamado Bruce Springsteen, ou até a eterna soberana do Reino Unido, Elizabeth, segunda de ordem, mas primeira na duração do respetivo reinado em terras Britânicas.

E depois há o bom gosto.... o dos prodígios de composição e iluminação que se estatelam no papel impresso, independentemente dos sujeitos retratados, para deleite do (permitam-me que o diga) igualmente bom gosto de quem os admira, pendurados numa parede

como as das salas da exposição organizada pela Fundação  MOP, ali bem no centro da sempre recomendável cidade de A Coruña.

Foi esta a razão primeira de ir. O resto, e foi muito, veio pela constante vontade de ver e descobrir que me acossa e que me importa saciar..



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