segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Notas de viagem roubadas a um diário que não escrevi,
em partes,
tantas quantas me promete a memória


26 de agosto

Parque Natural de Ordesa e Monte Perdido

Cedo, bastante cedo, fazemo-nos à estrada em direção a Torla, vila de onde partem as camionetas que dão acesso ao Parque Natural. Nesta altura do ano, esta (ou a caminhada) é a única hipótese de lá chegar, uma vez que os acessos são condicionados. E percebe-se porque o rececionista do hostal onde ficámos nos disse para chegarmos cedo: a fila para os autocarros que saem de 15 em 15 minutos já está bem composta, mas, pior que isso, o parque de estacionamento já vai a mais de meio (e ainda não são 8 horas...). Uma vez completo, será muito difícil encontrar sítio para estacionar, o quer vai obrigar a uma caminhada suplementar desde algures na estrada, até à paragem dos autocarros.

Curva ante curva, confortavelmente sentados no autocarro cheio de passeantes, como nós,  lá chegamos à entrada do parque, com tempo para um reconfortante café no bar, que está cheio de gente. O intuito é fazer a caminhada da Pradera até à Cascada del Estrecho e regressar. O dia ainda vai tímido e fresco. 

Começamos.

O caminho não tem dificuldade de qualquer espécie, com muito pouca pendente, embora seja a subir, e quase sempre a coberto da sombra da floresta que ladeia o vale por onde escorre um pequeno rio, o Arazas. Há muito que fotografar, mas mais uma vez, não tenho o tempo de que necessitaria. Poderia passar aqui uns dias...

A manhã corre fácil e prazenteira. Caminhantes, como nós, passeiam, outros aventuram-se mais a dentro e seguem em frente, provavelmente para passar a noite no refúgio do Monte Perdido.

Paramos de quando em vez para as obrigatórias fotografias de "recuerdo" e eu gostava de parar mais amiúde, enquanto a luz está de feição. Fotografar, no entanto, é mesmo uma daquelas atividades que não convive bem com companhia, a não ser que esta partilhe o mesmo interesse e objetivo. A não ser assim, há que encontrar um compromisso e lá sigo carreiro adiante, substituindo o prazer da imagem pelo prazer da passada, este sim,  plenamente desfrutável a dois.

Chegamos às cascatas, que mesmo nesta altura do ano, levam água que chegue para as tornar fotogénicas quanto baste, embora uma delas não seja fácil de fotografar porque, a partir do carreiro, não se consegue uma vista suficientemente limpa para favorecer o enquadramento. Não interessa, o que quero mesmo é fotografar pelo prazer de o fazer e ter algo que mais tarde me lembre do quanto gostei do passeio desta manhã.






Cascada de la Cueva.


Casacada del Estrecho

Casacada de Arripas



De regresso a Torla, passeamos pela vila para procurar o retemperante café que encerra oficialmente as sandes do almoço e seguimos viagem. O intuito é percorrer de carro as localidades que aqui e ali se insinuam no Parque Natural. A estrada é apertada e as curvas são constantes, mas na montanha não seria de esperar grandes facilidades. Paramos aqui e ali, sempre que a paisagem nos sugere uma fotografia, ou também quando o corpo cansado exige que se estiquem as pernas. As vistas são, regra geral, fantásticas e mais que muitas, para além de termos a sorte de um dia com nuvens, por vezes bem carregadas, embora não chegue nunca a chover,  a quebrar a monotonia do habitual azul seco dos céus estivais.
O caminho é circular e leva-nos por fim, novamente a Assín de Broto, onde passamos uma vez mais a noite.


Linás de Broto - as antigas telhas de laje já se não usam,
mas algumas casas que as usam ainda subsistem
  

A caminho de Nérin


a vista do Miradouro de la Tella


Cañon de Añisclo - tiveramos pernas, e ainda teríamos ido lá abaixo para uma banhoca mas já era tarde, e, depois a subida....

Esq. Punta Llerga (2.267m); Dir:Peña Montañesa (2.295 m) vista do mirador da estrada
 que segue do parking de La Tella, para o parque de campismo Valle Añisco

As "cristas" ao pé do miradouro de Janovas, na N-260, a caminho de Asín deBroto.

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